Entre o brincar e a adultização, o Dia da Infância reforça a proteção às crianças
Brincadeiras são importantes para a formação integral da criança, mas o excesso de telas, pressa e conteúdos inadequados ameaçam o estágio inicial da vida.

Celebrar o Dia da Infância, comemorado em 24 de agosto, é um convite à reflexão sobre a importância de garantir os direitos das crianças, assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e também saber que essa responsabilidade cabe a todos: família, Estado e sociedade, sendo, inclusive, fundamental denunciar violações e promover políticas públicas para o bem-estar e desenvolvimento infantil.
Para a psicopedagoga e escritora infantil Paula Furtado, ao valorizar essa data, a sociedade reconhece que uma infância plena é o alicerce de uma comunidade mais empática, saudável e feliz. “Este é o momento propício para lembrar que esta não é uma fase preparatória para a vida, ela é a vida. É um território sagrado onde se formam vínculos, valores, memórias afetivas e a base emocional de cada ser humano”, explica.
O desenvolvimento infantil é feito de afeto, cuidado e tempo de qualidade em um ambiente que valoriza as brincadeiras e favoreça a formação integral da criança. “Quando os adultos respeitam o ritmo da criança, participam das brincadeiras e validam suas emoções, ajudam a preservar sua essência, curiosidade e criatividade”, ressalta a profissional.
Obstáculos e atenção
Atualmente, segundo a especialista, os principais desafios que as crianças enfrentam e que podem afetar o progresso de sua infância são o excesso de telas e de estímulos, a pressa, agenda cheia, a pressão por desempenho e a falta de escuta emocional. Preservar a pureza da infância envolve evitar a (quando a criança é exposta a papéis, responsabilidades, informações ou comportamentos que não correspondem à sua idade) e a exposição a conteúdos inadequados que estimulam comparações, sexualização e padrões irreais.
A Câmara dos Deputados pode votar, ainda nesta semana, o Projeto de Lei 2628/22 sobre adultização infantil em meio a denúncias, prisões e ameaças ligadas à exploração de menores no ambiente digital. Mesmo que essa Lei tenha um papel coletivo de responsabilizar plataformas, estabelecer limites e ajudar a colocar a infância no centro da pauta social, na visão da especialista, não é suficiente. “A proteção essencial vem do envolvimento dos pais e responsáveis. São eles que precisam acompanhar, orientar e estabelecer limites no uso das telas e nas cobranças do dia a dia. A lei oferece apoio, mas a presença afetuosa e a escuta ativa dentro de casa são insubstituíveis”.
Segundo Paula, talvez esse PL não fosse necessário se os pais conversassem abertamente com seus filhos sobre os riscos digitais, controlassem o uso de telas e fizessem espaço para que a criança pudesse, de fato, ser criança. “Se desde o começo houvesse mais diálogo, acompanhamento e equilíbrio nas rotinas, talvez não estivéssemos nessa situação. Os adultos poderiam ter incentivado brincadeiras, leitura e esportes às crianças, em vez de apenas compromissos e responsabilidades”.
Agosto Verde
Além de celebrar o Dia da Infância, Agosto Verde é um mês dedicado à atenção integral à primeira infância. Paula Furtado resume o significado da data: “Lembrar da importância de proteger nossas crianças não deve ser restrito a um único dia ou mês, mas sim uma prática constante. Ao oferecermos cuidado, amor e segurança, promovemos um desenvolvimento natural e um aprendizado que perdura para sempre”.
Sobre Paula Furtado
Paula é pedagoga, formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com especialização em Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia (Facon-SP), Educação Especial, Arte de Contar Histórias e Arteterapia pelo Instituto Sedes Sapientiae e Leitura e Escrita, também pela PUC-SP. A profissional já atuou como assessora pedagógica em escolas públicas e particulares.
Paula Furtado atende crianças e adolescentes com dificuldades de aprendizado, incluindo casos complexos envolvendo traumas e situações de vulnerabilidade emocional. Nesta área da educação, a pedagoga ministra cursos para formação de educadores nas instituições de ensino público e particular e realiza palestras para pais sobre a importância de contar histórias.
Autora de mais de 100 livros infantojuvenis e criadora de jogos pedagógicos inovadores, Paula também escreve para revistas especializadas em educação e infância.
Fonte: Way Comunicações
Elenice Costola
Foto: Reprodução
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